Dos que amo: MEU CORPO

Anteontem rolou um protesto online. Um protesto à pesquisa, cujo resultado foi lamentável (link da pesquisa AQUI).
Tirei a roupa e entrei na onda. Me despi como assistente social, intelectual, pesquisadora, blogueira e principalmente, como mulher. Mulher que tem um corpo. Corpo que não DEVE ser violado. Não DEVE. PONTO.
Não importa a roupa que você use: mulheres de burca também são estupradas.
Não importa a hora que ande na rua: mulher que trabalha cedo é estuprada.
Não importa o local que frequente: crianças em parquinhos são estupradas.
Não importa que esteja em casa lavando louca: mulheres casadas, afilhadas, primas, etc, são estupradas no próprio lar.
Mulher não é alvo em que você mira pensando: ah, essa quer ser estuprada.
Mulher não é objeto para satisfazer intuitos brutais.
Se uma mulher for ao motel com o cara que ama e não quiser ter relações sexuais, ela DEVE sair ilesa. E se o cara a obrigar, é ESTUPRO.
Tudo feito sem CONSENTIMENTO é estupro!
Por isso tirei a roupa. E muitas mulheres de coragem também.
Mesmo que alguns venham com a falácia do tipo:
“mostrar o peito não muda nada”
“Maria da Penha não precisou mostrar o peito para ser respeitada”
“bla bla bla”…
Fica a reflexão: Por causa desse “ato”, desprovido de pudores, a mídia pode mais uma vez tocar no assunto. Desta forma, muitas pessoas puderam mudar seus pensamentos. Outras, mesmo que não mudassem, viram a outra face da moeda. Enfim. Todo ato tem sua intenção e a nossa cumpriu um trajeto muito bonito: trajeto do afeto, trajeto das pessoas que pela primeira vez tiveram coragem de dizer que sofreram abuso, trajeto que me fez encontrar em outras mulheres minha própria face, meu próprio corpo.
A blogueira que vos fala, acredita sim, que uma pessoa mal intencionada vendo você de roupa curta, sentirá mais desejo e cometerá esse ato.
Mas a mesma blogueira, defende a ideia de que ANDANDO DE ROUPA CURTA OU NÃO, em hipótese ALGUMA MERECE ser ESTUPRADA.
Eu não mereço.
Você não merece.
Sua filha que sai com a blusa grande mas chega na escola e coloca a barriga de fora não merece.
Sua sobrinha que vive de short curto não merece.
Sua prima que dança quadradinho de 8 na rua, não MERECE.
NÓS NÃO MERECEMOS SER ESTUPRADAS!
Aliás, peço um FAVOR à todos aqueles que curtem o Dos que amo, seguem o blog, etc: se você NÃO CONCORDA COM ISSO, faça-me um IMENSO FAVOR: NÃO CURTA  a página no facebook, não SIGA O MEU BLOG, se por acaso achar que me viu na rua, VIRE A CARA PRA MIM.Hoje em dia, quem toma as rédeas do meu corpo sou eu. Ninguém brinca mais com ele como quando eu tinha 3/4 anos de idade. Ninguém me obriga a ficar nua e me toca, como quando eu tinha 7 anos de idade. Eu era uma menina e sofri isso dentro de casa. Dói demais. Sempre doeu. E a vergonha de dizer isso pra alguém, achando que EU era a culpada me consumiu até os 13 anos, quando tive coragem de contar pra minha mãe, que precisava trabalhar para me manter, visto que meu pai morava em outro estado. Nunca imaginaria que a vizinha de 15 anos que brincava com a filha a molestava. Não imaginava que quando a filha ia visitar o papai nas férias era molestada. Aliás, nem o pai sabia. Eu não contava.  E aquele cara que apareceu na frente de casa com uma bicicleta… eu tinha um estojo de maquiagem na mão… esse cara, me levou pra algum lugar e só me lembro de chegar em casa chorando, sem meu estojinho e dormir, sem falar com mamãe que estava trabalhando. Esse fato, o cérebro fez questão de apagar por completo. Não lembro quem foi, não lembro o que houve, não lembro como cheguei, só me lembro da porra da bicicleta vermelha e da cara do homem. Espero nunca lembrar do que aconteceu. Nunca.
Quando minha irmã nasceu, eu tinha 7 ano de idade e mitas vezes, brincando com ela, dava vontade de fazer as mesmas coisas que faziam comigo, como uma forma de “revanche”. Mas mesmo tão menina, chorava e sentia vergonha de pensar nisso. Chorava e decidi superar tudo, não sendo um reflexo pra minha irmã do que me atormentava. E hoje, tenho 4 irmãos mais novos que amo de paixão e só de imaginar que poderiam ter sofrido algum tipo de moléstia, sinto ódio, raiva, repulsa e tento os proteger com unhas e dentes.
Enfim.
Até hoje sinto vergonha do meu corpo, às vezes nojo de mim. Mas isso é coisa que precisa ser trabalhada com o tempo. E agradeço muito ao meu ex namorado, com o qual morei anos, por me ajudar cada dia a superar isso e perceber que sexo é algo bonito e não uma tortura. Mesmo ele, tendo sofrido mitas vezes por isso. Um grande homem. Ele está dentro do meu coração pra sempre. Assim como todas as pessoas que aparecem em minha vida e me ajudam a superar essa novela cruel.
E é por isso que tirei a roupa! É por isso que bato no peito: ninguém MERECE ser estuprada. Ninguém merece ser TOCADA!Eu AMO respeito, lutarei por ele até onde for preciso. E respeito é algo que roupa nenhuma deve ditar.Ps: sei muito bem que posso ter ido longe demais expondo certas coisas e fatos, mas espero de coração que isso possa ajudar outros a se livrarem de seus medos e fantasmas. Os meus vez ou outra retornam, mas aos poucos vão sendo trancados num lugar que em breve será uma mera lembrança.

#EuNãoMereçoSerESTUPRADA

#EuNãoMereçoSerESTUPRADA
Aproveito o ensejo para publicar por aqui, uma foto/frase que postei no Instagram e que acho bem coerente com esse sonho de poder mudar algo um dia:
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” Não quero nunca renunciar à liberdade deliciosa de me enganar.” ~ Che Guevara ♥

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