Das inspirações: Rafael Minkkinen e meu corpo

Eu gosto de tudo o que grita. Gosto de tudo que acontece.
Gosto do que te sufoca a ponto de explodir.

Gosto do que tira sarro da tua cara. 
Jhê Delacroix

Minha relação com o  corpo sempre foi das piores. Última a ter seios, primeira a recusar fazer educação física. Última a comprar shorts, primeira a usar 7 (pasmem) calças por baixo para parecer mais cheinha. Calor, choros, inveja, meias simulando seios, repúdio, uma farsa. E segui nessa vida de mentiras até os 17 anos. Parei.

Parei mas não mudei. As neuras continuaram. Queria ser “perfeita” como as mulheres de tv. Parece até clichê. Ao mesmo tempo, tinha asco ao me olhar no espelho. Pra mim, foram anos de dor emocional, psicólogos e depressão.
Só comecei a enxergar as coisas de forma diferente depois da faculdade.
Serviço Social.
UFF.
Debates.
Marx.
Capitalismo.
Chopadas.
Política.
Mulher objeto.
A ficha caiu: – não sou uma mulher objeto!

Na cabeça um ideal, na prática, muita conversa com o ex companheiro, que durante 4 anos foi me ajudando a superar diversas barreiras que eu mesma estabelecia.
O tempo passou, mudei de estado, mudei de lugar, mudei a rotina, mudei a vida. Até que conheci o Rafael Minkkinen que me fez enxergar o corpo de uma maneira peculiar. O “corpo cenário”.

O caraSeu trabalho beira o abstrato. O infinito.
Pra ele, o corpo não é só corpo. O corpo é o foco, a paisagem, o ritmo, a pedra, o conjunto, o todo e o nada. Tudo se mistura, tudo se faz presente. É cenário, é continuidade, é perda e ganho.

Mink Dos que Amo (19) Mink Dos que Amo (20) Mink Dos que Amo (1) Mink Dos que Amo (2) Mink Dos que Amo (3) Mink Dos que Amo (4) Mink Dos que Amo (5) Mink Dos que Amo (6) Mink Dos que Amo (7) Mink Dos que Amo (8) Mink Dos que Amo (9) Mink Dos que Amo (10) Mink Dos que Amo (11) Mink Dos que Amo (12) Mink Dos que Amo (13) Mink Dos que Amo (14) Mink Dos que Amo (15) Mink Dos que Amo (16) Mink Dos que Amo (17) Mink Dos que Amo (18)INSPIRADOR!

Há um tempo, comecei a elaborar um projeto fotográfico/poético, que teria como base o corpo e a escrita, ao mesmo tempo, opondo-se e fundindo-se.
Claro que seria pretensão dizer que o que penso/fotografo/escrevo é pura poesia, pura arte, até porque sou crua em tantas coisas.
Acontece que eu tento. Tento fazer valer. Tento fazer acontecer. Tento.

Como não conheço a cidade para me embrenhar num matagal, e fazer do meu corpo um tronco de árvore, comecei a fotografar em casa. Cada foto ilustra algum escrito que publico no Amante do Padre.

Jhê Dos que amo (4)FAMAJhê Dos que amo (5)No corpo existia o ombro. O ombro parecia um monte. No monte escrevi poesia. Jhê Dos que amo (2)É fim

Eis fragmentos do meu projeto. Fotografo, analiso e depois crio algo em cima do retrato. Esse projeto está caminhando em passos lentos, mas tô curtindo tanto fazer!
Desnudar-se e mostrar que o corpo é uma arte, requer coragem. Tem que ter peito. Geralmente posto essas fotos na minha página pessoal do facebook. Ao mesmo tempo que muita gente vem conversar comigo, perguntando como me fotografo sozinha, elogiando os textos/prosas/poesias que compõem o que publico, tem gente que não vê com bons olhos. Já chegaram a comentar (de brincadeira, contudo, com aquele fundo de verdade) que minha foto de costas era uma “obscenidade”.

Na hora me lembrei de Verity, a escultura da mulher nua e grávida do artista britânico Damien Hirst, que causou “polêmica” na Inglaterra:

Mulher nua e Grávidamulher nua e gravida

Algumas pessoas que assistiram a instalação da obra opinaram que a estátua irá colocar Ifracombe no mapa, mas outros a qualificaram de “imoral”, “obscena”, “ofensiva”, “desagradável”, “grotesca” e “um insulto às mulheres”. (Fonte)

Acontece que existe uma porosa fronteira entre arte e obscenidade. Porque a arte nos faz muito bem.
Quando se ouve música ou se assiste dança, quando se olha um quadro, se lê um livro, se vai ao teatro, vivenciamos algo novo.
O encontro com qualquer forma de arte parece estimular os nossos sentidos de uma maneira especial.
Não somente porque pode ser um encontro que nos emociona, mas também porque aquele encontro que nos levar a pensar.
Cada artista expressa em suas obras, sua visão sobre o mundo. Conhecer a obra de um artista, então, é conhecer o seu pensamento, ou seja, é estabelecer uma conversa com o artista.

E no final das contas, é isso que quero: conversar com quem vê minha foto ou lê o que escrevo. Mesmo que o papo não seja bom e desperte uma reação ruim, pelo menos aconteceu. E eu gosto, gosto mesmo, de pessoas que acontecem.

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Para amar:
Arno Rafael Minkkinen

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